domingo, 23 de outubro de 2011

Tema: TRANSCENDÊNCIA E IMANÊNCIA DE DEUS

INTRODUÇÃO

Amados, neste artigo, vamos tratar de dois atributos incomunicáveis de Deus que são: Sua transcendência e sua imanência.

Transcendência significa que Deus está acima da criação. Ele é supra-mundo e extra- mundo. Imanência nos faz lembrar que Deus se manifesta na criação. Deus está acima do mundo e independe dele.

Fundamentado no conceito que Deus é transcendente, é importante observar que:

a)     Deus não deve ser confundido com o universo, como faz o Panteísmo e a Ciência Cristã.

b)     Não deve ser considerado como uma totalidade da qual o universo é uma parte, isto é, uma espécie de unidade de dupla face.

c)     Não se relaciona com o universo como a alma com o corpo.

d)     A causa e o seu efeito não podem ser uma e a mesma coisa; logo afirmamos a transcendência de Deus. Sujeito e objeto implicam uma distinção, logo, não podemos confundir Deus com o mundo que Ele fez e que é objeto de sua providência e cuidado.

O homem é maior que a sua obra; assim também o é Deus.

e)     O amor de Deus para com os homens, o perdão de pecados que Ele concede e o senso de responsabilidade do homem, tudo isto se baseia na transcendência de Deus.

Quando o homem deixa de crer na transcendência, a sua consciência do pecado e sua responsabilidade moral se esvaem, como acontecem no sistema panteísta e semipanteísta.

Quando se perde a transcendência, em geral a personalidade de Deus vai com ela. Segue-se, então, a perda da fé, do culto e da oração, que são sempre expressões de um espírito pessoal em busca de um espírito pessoal e são impossíveis de outro modo.

DEUS É IMANENTE OU INTRAMUNDO.

Podemos então dizer que:

a)     Ele não só está acima do universo físico, não somente é independente dele, mas permeia todas as coisas.

b)     O homem atua sobre a matéria, externamente, de fora. Deus pode fazer e o fez internamente, de dentro. Todo o desenvolvimento que existe no universo ilustra a operação interna de Deus.

c)      O homem constrói uma casa ou um navio, trabalhando externamente. Deus faz uma árvore, operando internamente.

d)     Não devemos enfatizar a transcendência de Deus de forma a fazê-lo um Deus mecânico; nem tão pouco enfatizar sua mecânica de modo a fazê-lo desaparecer nas leis da natureza.

e)     Devemos distinguir entre Deus imanente no universo e Deus idêntico com o universo, pois isso seria panteísmo.

f)      W. Newton Clark, em sua obra Cristian Doctrine of God, diz o seguinte:

"É claro, hoje em dia, que o universo opera ou é operado de dentro, As forças que se acham em atividade são forças residentes no universo, Este tem toda a aparência de um sistema auto-operante. Não somente a sua vastidão, mas também a sua auto-suficiência interna nos proíbe de conhecê-lo como sendo controlado  por fora".

"Se Deus é a força operante do grande sistema, e se este é operado de dentro, então, certamente, ele se acha dentro com sua vontade e energia operantes".

O professor Arthur C. MacGiffert dá uma definição de imanência que mal se pode distinguir do panteísmo. É preciso fazer uma distinção bem clara entre imanência e panteísmo.

W. L. Falker, em sua obra: The Spirit and the incarnation e em Cristian Thesm, nega que mecânica de Deus seja pessoal e ensina que esta terminologia apenas expressa a manifestação de uma idéia ou princípio gradualmente realizado no mundo.

Dificilmente, porém se pode compreender um Deus imanente que não seja pessoal. Não sendo Deus concebido como sendo idêntico com o mundo, podemos dizer que sua imanência é da substância o do ser pessoal na mais estrita acepção da palavra.

g)     A imanência de Deus, não pode ser usada para negar a realidade das causas secundárias, nem para fazer de Deus o agente de todo o mal no mundo. Assim como não fazemos Deus e o mundo idênticos, assim também não fazemos a vontade humana desaparecer na divina.

h)     A doutrina da imanência de Deus dá nova beleza ao mundo.

CONCLUSÃO

O universo e a terra estão cheios da glória e todo arbusto pleno de Deus. "Ele está mais perto que a respiração, e mais próximo que as mãos e os pés."

"O broto que cresce verde no meio da geada, a Erva e o próprio líquem, cada um deles constitui um silencioso momento. O primeiro pássaro da primavera e a última rosa do verão; a grandeza e o encanto e até mesmo a melancolia da tarde e da manhã; a chuva, o orvalho, os raios do sol; as estrelas que surgem para contemplar a plantação do fazendeiro; os pássaros que alegres fazem seus ninhos ou cuidam diligentes dos seus filhotes. Tudo isso tem significação religiosa para a alma que pensa. O perfume da violeta lembra o Criador. A pureza e a fragrância do lírio lembra a divindade. As terríveis cenas da tempestade, o fuzilar do relâmpago e ribombar do trovão, parecem apenas os sons mais severos de  um grande concerto com que Deus fala aos homens" (autor desconhecido).

Fraternalmente em Cristo: Pb. Gilson dos Santos - Fonte: Compêndio de Teologia Sistemática (David S. Clark).

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Tema: O PROCESSO DE SALVAÇÃO

Soteriologia é a ciência que trata das bênçãos da salvação ao pecador e o seu restabelecimento ao favor Divino e à vida de íntima comunhão com Deus.

Esta doutrina pressupõe conhecimento de Deus como fonte da vida, e do poder, e da felicidade da humanidade e da completa dependência que o homem tem de Deus, para o presente e para o futuro.

Desde que ela trata da restauração, redenção e renovação, só pode ser compreendida à luz da condição originária do homem, criado à imagem de Deus, e da subseqüente separação e perturbação, causada pela entrada do pecado no mundo.

Levando em conta que a obra da salvação é obra totalmente realizada por Deus, conhecida dele desde a eternidade, transportando retroativamente os nossos pensamentos para o eterno conselho da paz e para a aliança da graça, em que foi feito a previsão para a redenção do homem decaído. (Louis Berkhof).

"Porquanto, ao que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou." (Rm 8.29 e 30)

Ao estudarmos o processo de salvação, entendemos como acontece a salvação do pecador. A Bíblia nos dá uma completa e rica enumeração das operações do Espírito Santo na aplicação da obra realizada por Cristo a pecadores individuais, e das bênçãos da salvação comunicadas a eles.

Convêm lembrar, que em relação à ordem exata seguida na aplicação da redenção, pode haver diferentes opiniões já que a Bíblia não especifica uma ordem. A doutrina da ordem da salvação é fruto da reforma.

Lembrando, o que é salvação? Podemos dizer que a salvação é o resultado da morte de Jesus Cristo na cruz do calvário, com o propósito de livrar o homem da condenação da morte eterna causada pelo pecado.

 "No qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça." (Ef 1.7).

CONVERSÃO

Conversão é uma mudança, que tem suas raízes na obra da regeneração e que é efetuada na vida consciente do pecador pelo Espírito Santo. Mudança de pensamentos e opiniões, de escolhas e desejos, que envolve a convicção de que a direção da vida anterior era insensata e errada, É volver o caminho em direção oposta ao pecado.

"Não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou segundo o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo". (Tt 3.5)

ARREPENDIMENTO

Arrependimento para a vida é uma graça salvadora, pela qual o pecador, tendo um verdadeiro sentimento do seu pecado e percepção da misericórdia de Deus, em Cristo, se enche de tristeza e de horror pelos seus pecados, abandonando-o e volta para Deus, inteiramente resolvido a prestar-lhe nova obediência. (Breve Catecismo de Westminster)

O arrependimento não pode remover a culpa do pecado, a culpa do pecado só pode ser removida pelo sangue do Nosso Senhor Jesus Cristo.

"Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados"(At 3.19)

CONFISSÃO

Confessar significa abrir o coração a Deus e não tentar esconder nada do que fizemos. Significa dizer exatamente o que fizemos de errado. É declarar a Deus o pecado cometido.

"Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça." (1Jo 1.19)

JUSTIFICAÇÃO

Justificação é um ato da livre graça de Deus, no qual ele perdoa todos os nossos pecados, e nos aceita como justos diante de si, somente por causa da justiça de Cristo a nós imputada, e recebida somente pela fé. (Breve Catecismo de Westminster). Na justificação, Deus concede ao homem o direito de viver eternamente e em paz com Ele.

As confissões reformadas ensinam que a justificação resulta em: Remissão de pecados, aceitação diante de Deus, direito à vida eterna e aumento da graça para a santificação.

"Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo". (Rm 5.1)

REGENERAÇÃO

Regeneração é novo nascimento, a regeneração consiste na implantação do princípio da nova vida espiritual no homem, uma mudança radical na disposição dominante da alma, que, sob a influência do Espírito Santo, dá nascimento a uma vida que se move em direção a Deus. Em princípio esta mudança afeta o homem completo: o intelecto, a vontade,  os sentimentos e emoções.

Regeneração não é uma nova faculdade acrescentada à alma, nem uma mudança na substância da alma, não é persuasão moral, não é cooperação do poder humano com o divino, a que se chama de sinergismo. Não se encontra no homem a agência de sua regeneração, nem metade dessa agência, nem qualquer parte dela. Deus é o agente  e o homem é o paciente ou objeto da regeneração.

Não depende da congruência da mente humana com a divina; mas Deus é soberano na regeneração e pode regenerar quando e a quem ele quiser, mesmo a homem que se encontra no auge de sua rebelião.

"E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura, as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas." (2Co 5.17)

SANTIFICAÇÃO

A palavra grega tem dois sentidos, a saber: purificar e consagrar ou separar.

O que é santificação?   

Santificação é a obra da livre graça de Deus, pela qual somos renovados no homem interior, segundo a imagem de Deus, e habilitados para morrer cada vez mais para o pecado e a viver para a retidão. (Breve Catecismo de Westminster)

A santificação é:

a)     Uma obra meritória de Deus.

b)     Uma obra em que Deus infunde graça e poder.

c)     Uma obra em que Deus subjuga pecados.

d)     Difere em grau em diferentes pessoas.

e)     Incompleta e imperfeita nesta vida.

f)      Um crescimento espiritual do caráter cristão, plantado e regado divinamente.

"Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna" (Rm 6.22).

DIFERENÇA ENTRE JUSTIFICAÇÃO E SANTIFICAÇÃO

Embora a santificação seja inseparavelmente unida à justificação, elas, são, contudo, diferentes nisto: Deus, na justificação imputa a justiça de Cristo; na santificação o seu Espírito infunde a graça e dá o poder de exercitá-la.

Na justificação, o pecado é perdoado; na santificação, é subjugado. A justificação liberta igualmente todos os crentes da ira vingadora de Deus e isso nesta vida, para que jamais sejamos condenados; a santificação não é igual em todos nem é perfeita em ninguém nesta vida, mais progride para a perfeição.

 FÉ- (FÉ JUSTIFICADORA)

A fé justificadora é uma graça produzida no coração do pecador pelo Espírito e pela palavra de Deus, pela qual o pecador convicto do seu pecado e miséria e da incapacidade de ser restaurado da sua condição de perdido, tanto por si mesmo quanto pelas demais criaturas, não apenas crê na verdade da promessa do evangelho como também recebe e descansa em Cristo e na sua justiça, ali ofertada, para o perdão dos pecados e para ser aceito e considerado justo à vista de Deus para a salvação. (Catecismo Maior de Westminster).

"Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus.". (Rm 5. 1 e 2)

"Nós, porém, não somos dos que procedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma." (Hb 10.39)

CONCLUSÃO

Esperamos que esse breve texto, contribua para seus estudos sobre salvação e que você sempre recorra à Bíblia, pois Ela é a Palavra de Deus, fonte de revelação de sua vontade,e alimento espiritual para nossa vida. (SOLA SCRIPTURA). Fraternalmente em Cristo. Pb. Gilson dos Santos.

Fontes: Confissão de Fé e Catecismo maior de Westminster, Teologia Sistemática de Louis Berkhof, Teologia Sistemática de David S. Clark.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Tema: A SALVAÇÃO

Se você pergunta para alguém se ela já está salva, certamente ela indagaria: Salvo de quê? Eu não estou correndo nenhum risco de morte!

Existem três tipos de morte: morte física, morte espiritual e morte eterna. A carta de Paulo aos Romanos nos ensina algo muito precioso em relação a morte e a vida, nos trazendo alento e segurança, vejamos:

"Porquanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. (Rm 5.12).

Paulo aqui se refere  à morte eterna, ele continua "Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justiça que da vida. Porque, como, pela desobediência de um só homem (Adão), muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só (Cristo), muitos se tornaram justos. Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça, afim de que, com o pecado reinou pela morte, assim também, reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor."

Paulo está reafirmando a missão reconciliadora e salvadora de Jesus Cristo, que apesar da morte pelo pecado, podemos ter vida pelo ato de justiça realizado na Cruz por intermédio de Jesus Cristo.  "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna".(Jo 3.16).

Deus deu uma ordem para Adão, e o não cumprimento dessa ordem traria a morte para o homem, observem: "E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás".(Gn 2.16,17)

Sabemos que Adão não cumpriu a ordem de Deus, logo, a punição foi dada e essa punição foi morte, morte espiritual e eterna, causando a separação do homem com Deus, o homem perdeu a comunhão que tinha com Deus, até mesmo na capacidade de buscar as coisas de Deus, o homem caiu num estado de depravação total em relação as coisas celestiais é o que Paulo esclarece em sua carta aos Romanos.

Contudo, Deus é misericordioso, e ainda na eternidade, a Trindade santa elabora em plano de salvação para o homem, confirmada nas palavras do próprio Deus "Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar". (Gn 3.15)

João Batista ao ver Jesus disse:  Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo". (Jo 1. 29). Jesus é o único que pode tirar, nos livrar da conseqüência do pecado "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor." (Rm 6.23).

Jesus justifica o pecado cometido pelo homem, com o pecado veio a morte, com Jesus veio a justificação do pecado, para todos que crêem. Ele nos torna justo apesar de nós, apesar de não merecermos, logo veio a vida e vida eterna, "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho e a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim". (Jo 14.6).

"Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem. O ladrão vem somente para matar, roubar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância." (Jo 10. 9 e10)

Conclusão

Todo homem herdou a morte eterna com o pecado original, Deus com seu imenso amor enviou o seu Filho unigênito Jesus Cristo para nos livrar da morte eterna, pagando o preço na cruz do calvário, morrendo em nosso lugar, morte vicária. Ele é o cordeiro imaculado que é o sacrifício perfeito, nos reconciliando com Deus e nos dando vida eterna.

Você está salvo? Salvo da morte eterna? 

Se você já aceitou o nosso Senhor Jesus Cristo como seu único e suficiente Salvador, você está salvo, se não, você está caminhando a passos largos para a morte eterna, tenha fé e aceite a Jesus, "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8).

Faça como o carcereiro que perguntou: Senhores, que devo fazer para que seja salvo? E ouviu a maravilhosa resposta de Paulo e Silas: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa. (At 16.30 e 31). (SOMENTE CRISTO SALVA, ALELUIA, GLÓRIAS SEJAM DADAS SOMENTE A DEUS). Fraternalmente em Cristo, Pb. Gilson dos Santos.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

TEOLOGIA EXEGÉTICA

Quando nos dispomos pregar a palavra de Deus é necessário que se busque a correta  interpretação da Bíblia, para isso o pregador deve recorrer a duas importantes ciências da teologia que nos ajuda a entender e interpretar melhor o que o texto nos quer transmitir. Estas ciências são a HERMENÊUTICA e a EXEGESE.

HERMENÊUTICA- É uma palavra grega que significa interpretar, traduzir explicar. Ao se ler um texto bíblico, cada pessoa pode ter um ponto de vista diferente. Pois o ponto de vista depende das necessidades, carências e experiências vividas por cada um. Daí a necessidade de entendermos o texto por si mesmo, independente de nossas experiências pessoais, procurando manter a fidelidade do texto.

EXEGESE-  Essa palavra é uma transliteração do grego e significa narração, exposição. É formada por duas palavras gregas: A primeira, significa "fora de" e a segunda "conduzir, guiar", aplicando-se ao texto bíblico significa " tirar para fora a mensagem do texto".

A bíblia é composta de diversos tipos de literaturas e estilos, por isso é necessário interpretar corretamente cada uma delas, A preocupação de um autor de um livro poético é diferente da de um autor de um livro histórico, neste há inclusão de detalhes que são dispensáveis naquele,  como datas, governantes, posição geográfica, a fim de levar  uma compreensão exata do que o autor quis dizer. Vejamos alguns princípios que regem a exegese e a hermenêutica:

1-PRICÍPIOS DA EXEGESE

a)    Defina bem o texto - Evite pregar em textos muito pequenos para não deixar coisas importantes no contexto, ou em textos muito extensos, pois nesse caso a exposição pode ficar superficial, devemos buscar a definição da "perícope" (bloco central de raciocínio de em determinado texto).

b)    Compare diversas traduções - Leia o texto em outras traduções, pois os tradutores podem dar sinônimos de palavras e isso facilita seu entendimento.

c)    Analise o contexto do texto - Estude o parágrafo anterior e o posterior (contexto imediato). Descubra de onde o personagem está vindo e para onde está indo, o que aconteceu antes e depois do episódio que você está estudando. Analise a idéia ou contexto do livro que está sendo estudado (contexto remoto).

d)    Analise a gramática do texto - Anote o significado das palavras que você não conhece, marque os verbos e faça ligações entre eles, separe as perguntas e as respostas que tiver no texto, marque palavras repetidas, comparações, etc.

e)    Defina o tipo de literatura - Seu texto está nos livros histórico ou profético? Está nos evangélicos ou nas cartas? Essa definição é muito importante para compreender o texto.

f)      Pesquise o contexto histórico-geográfico - Use um dicionário bíblico e entenda quem era o personagem principal do texto, quem era sua família, sua profissão, para onde estava indo de onde estava vindo. Quem era o governador ou Rei, etc. Anote todas as informações que o texto traz a fim de conhecer melhor o que estava acontecendo. Consulte sempre um mapa bíblico.

g)    Identifique o tema principal - Qual é a idéia principal do texto? O que o texto está ensinando? Qual é o pensamento dominante? Tem outras idéias secundárias? Normalmente o tema principal do texto indicará o tema do sermão.

h)    Pesquise em comentários Bíblicos- Não dispense os comentários Bíblicos, pois é o fruto do trabalho árduo de pessoas que já estudaram o texto e anotaram as suas conclusões. Porém só consulte um comentário após ter passados por todos os princípios anteriores.

2-PRINCÍPIO DA HERMENÊUTICA

a)    Princípio da autoridade interna - Cada texto Bíblico apesar de ter mais de uma aplicação, tem um só significado, nossa tarefa é buscar o sentido real do texto e aplicá-lo corretamente. Não é a igreja que autentica a palavra por sua interpretação; é a Bíblia que se autentica a si mesma como palavra autoritativa de Deus.

b)    Princípio do contexto - Contexto é a parte que vem antes ou depois do texto, não devemos interpretar um texto sem antes verificar o seu contexto, pois este ajudará a compreender o significado do texto.

c)     Princípio do texto paralelo - A Bíblia interpreta a si mesma (1Co 2.13). Quando um determinado acontecimento é descrito por mais de um autor, este texto deve ser auxiliado na sua interpretação utilizando o mesmo assunto que ocorre em outras partes das Escrituras Sagradas, pois as informações se complementam e ajudam a entender o texto.

d)    Princípio da autoria do texto - Os diferentes autores da Bíblia viveram em tempos, culturas, situações sociais e regiões diferentes. Portanto, a forma de interpretar um determinado texto será diferente de outro texto escrito por outra pessoa em outro contexto.

e)    Princípio da interpretação do texto - A interpretação do texto é o que a passagem quer dizer no tempo, no espaço e nas circunstâncias e estilo que foram escritas. Alguns textos têm significado literal, outros têm significado simbólico. Um bom exemplo disto é o texto de Jo 2.19 " Destruirei este santuário e em três dias o reconstruirei". Ele se referia a si mesmo e não ao templo de Jerusalém.

Conclusão – A hermenêutica e a exegese são ferramentas para nos ajudar a entender o texto, contudo o pregador deve buscar a unção do EspíritoSanto, a fim de ser um verdadeiro instrumento nas mãos de Deus.

SOLA SCRIPTURA.

FONTE: CURSO PRÁTICO DE PREGAÇÃO. Rev. Dr. Saulo Pereira de Carvalho. Fraternalmente em Cristo, Pb. Gilson dos Santos.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Tema: O ATALAIA - VIGIA ESPIRITUAL DOS NOSSOS DIAS

Findo os sete dias, veio a mim a palavra do senhor, dizendo: Filho do homem eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; da minha boca ouvirás a palavra e os avisarás de minha parte. Quando eu disser ao perverso: Certamente morrerás, e tu não o avisares e nada disseres para o advertir do seu mau caminho, para lhe salvar a vida, esse perverso morrerá na sua iniqüidade, mas o seu sangue da tua mão o requererei. Mas, se avisares o perverso, e ele não se converter de sua maldade, e de seu caminho perverso, ele morrerá na sua iniqüidade, mas tu salvarás a tua alma. (Ez 3.16-19)

As cidades antigas eram muradas, e vigidas por homens bem preparados; as atalaias que ficavam alertas o tempo todo, vigiando a aproximação, a chegada de qualquer suspeita de inimigos, ficavam atentos e não podiam cochilar, era uma tarefa de grande responsabilidade pois de sua eficácia dependia a segurança da cidade, exerciam uma função de defesa da cidade e de seus moradores, ao seu cuidado ficava entregue a segurança e tranqüilidade do povo, dia e noite tinham que vigiar, (Is 21.8)

Vamos desenvolver esse tema enfocando três aspectos: 1- O atalaia como vigia espiritual de si mesmo, 2- o atalaia como vigia espiritual de sua família, 3- o atalaia como vigia espiritual de sua igreja.

1- O ATALAIA - VIGIA ESPIRITUAL DE SI MESMO

O atalaia não era um homem despreparado, certamente ele passava por um treinamento intenso, ele não podia cochilar, ele respondia com sua vida por qualquer descuido que possibilitasse a invasão do inimigo, ele tinha que dar o alerta à qualquer sinal de perigo, mas não podia dar alarme falso para não cair em descrédito e ser eliminado, ele tinha que vigiar primeiro a si mesmo.

Hoje não é diferente, estamos cercados de inimigos espirituais por todos os lados, e o maior deles somos nós mesmos, temos que controlar as nossas vontades, os nossos impulsos, os nossos desejos, temos que dar ouvido a voz do nosso Senhor Jesus Cristo, temos que andar segundo o Espírito Santo e não de acordo com a concupiscência da carne, o leão anda rugindo ao nosso derredor, pronto para nos devorar à qualquer descuido, precisamos vigiar incessantemente, aquele que está de pé cuide-se para que não caia.

E como nos preparar e vigiar? Através da leitura e conhecimento da Escritura, nela temos as lições necessárias para nossa vida, devemos não apenas conhecer seus ensinos, mas viver seus ensinamentos, ela nos torna aptos para anunciar as boas novas, é lâmpada para os nossos pés e luz para os nossos caminhos, ela é viva, é útil para nos corrigir e orientar,ela nos revela a vontade de Deus, nos indica o caminho da salvação apontando para cruz, nos certifica que com Ele , através Dele e para Ele somos mais que vencedores.

Outra maneira, é através da oração. Quando lemos as Escrituras é Deus falando conosco, quando oramos nós falamos com Ele. Esta sintonia não pode ser jamais interrompida, é como ar que respiramos, faltando, morreremos, não pode ser com ruído, havendo, a comunicação será defeituosa, sem entendimento, como radio que chia, como imagem distorcida e desfocada.

2- O ATALAIA - VIGIA ESPIRITUAL DE SUA FAMÍLIA

Deus nos constituiu sacerdotes do nosso lar, temos o dever e a responsabilidade de orientar os nossos filhos para a vida, como perfeitos cidadãos, conscientes de seus direitos e deveres, contribuindo para construção de uma sociedade mais justa, digna, agradável, culta e feliz.

Devemos também instruir nossos filhos na cidadania espiritual, a serem servos do Deus altíssimo, do Deus vivo, Deus de amor e justiça, Deus que está de olhos abertos a procura daqueles que o adoram em espírito e em verdade.

Devemos ensinar nossos filhos a amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao seu próximo como a si mesmo, devemos ensinar que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática, que somos cidadão do Reino e filhos da luz, portanto, como tal, devem ser imitadores de Cristo e exalar o seu doce perfume, ser fieis e proclamadores da salvação somente em Jesus Cristo.

Permanecer fieis as sãs doutrinas para não serem levados por toda sorte de heresias que tem imperado nos nossos dias. Não se conformarem com este século, mas transformá-lo com a renovação de suas mentes e andarem conforme Paulo recomendou a Timóteo: "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade". (2Tm 2.15);

3- O ATALAIA - VIGIA ESPIRITUAL DA IGREJA

Assim como o atalaia estava preparado, vigiando, atento para detectar aproximação do inimigo e tocar trombeta, alertando a cidade, dando tempo para preparação da defesa, como atalaias da igreja temos que estar atentos para avisar ao pastor, ao conselho, às autoridades eclesiásticas quando o inimigo se aproxima.

Assim como o atalaia sabia identificar o inimigo, nós também temos que aprender claramente distinguir os nossos inimigos, os inimigos da igreja. Vamos relembrar alguns desses inimigos: a) Modismo Amados, como as nossas igrejas têm enfrentado este grande inimigo? O modismo tem procurado adentrar em nossas igrejas através de modo sutil, disfarçados, com roupagem de coisa boa, boa para os jovens, boa para a evolução da igreja, boa para a atração e permanência dos membros na igreja e por aí vai!

Cegos! Não sabeis que Deus não admite fogo estranho no templo, na nossa vida, que nossa sapiência é nada para Deus, que é o Espírito Santo que convence do pecado, do juízo e da justiça. Não precisamos inventar nada, tudo está nas Escrituras, importa que preguemos a salvação, que o culto tem de ser para agradar a Deus e não aos homens, que temos que falar o que Deus manda falar e não o que o homem quer ouvir.

Que o culto tem que estar centralizado na Palavra e não em outros atrativos periféricos e secundários como: Música, profecias, curas, propagandas, vendas, elogios, espetáculos circenses, etc. Deus pode agir como quiser, mas não podemos ditar o agir de Deus.

b) Fofocas Platão falou que os grandes homens falam de idéias, o homem mediano fala de coisas e os homens medíocres falam dos outros (são fofoqueiros). Fofoqueiros causam grande estrago na vida da igreja, como nos alerta Tiago "Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã."( Tg 1.26).

c) Mentiras. A mentira é filha do diabo, como a mentira tem prejudicado ao crescimento da igreja e o pior é que a mentira pode vir do próprio púlpito, mentiras na pregação, inverdades quanto Deus, sua natureza, atributos e providências. Mentiras quanto ao homem, sua queda, sua depravação total sua forma de salvação, de adoração sua dependência total de Deus, pontos que são deturpados e afastados das verdades bíblicas. Irmãos mentirosos que fermentam, azedam a vida da igreja, lobos que tentam arrastar atrás de si até os eleitos.

d) Heresias "Assim, como, no meio do povo, surgirão falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os regatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição."(2Pe 2.1)

Literalmente a palavra heresia significa "escolha" quando nos referimos a uma religião ela passa ter sentido de "Princípios ou doutrinas contrárias aos ensinamentos ou dogmas da igreja. No cristianismo pode ser traduzida como ensinamentos contrários ao ensinados pelos apóstolos, como o gnosticismo, panteísmo, docetísmo e outras.

Nos tempos modernos nos deparamos com outras formas que podem ser chamadas de heresias modernas ou novas heresias, como: * Oração contrária- O cristão tem o poder de em nome de Deus amaldiçoar outras pessoas através de uma oração positiva e determinante. * Cobertura apostólica- Muitos cristãos não podem fazer nada sem antes consultar o seu pastor ou "apóstolo". * Atos proféticos- Declarar profeticamente atos de obtenção de bênçãos, curas expulsão de demônios, etc. * Cartografia Espiritual- Certos locais e até cidades ou países estão sobre o domínio do diabo. *Mapeamento espiritual- Procurar descobrir onde o demônio está alojado, se no nariz, na perna, na barriga, para poder expulsá-lo. * Culto da barriga- Dois crentes correm em direção um ao outro e batem as barrigas, caindo de costas num transe espiritual. * Sem contar o modismo da guerra espiritual e da falácia da maldição hereditária, do sopro sagrado, do dente de ouro, das quedas em transe, do paletó que derruba, da dor de cabeça aí atrás, da fogueira santa, (sem comentário, pois muito já se comentou)

Meus caros, leitores, são tantas invenções e asneiras (vem de asno mesmo), que poderíamos gastar páginas e páginas, mas não vale a pena!

CONCLUSÃO

Todo crente foi chamado para servir no Reino de Deus, não podemos descuidar, devemos permanecer atentos, vigilantes como verdadeiros atalaias, tocando a trombeta anunciando a aproximação do inimigo espiritual de nós mesmos, de nossa família e de nossa igreja. NÃO PODEMOS NOS CALAR. (Soli Deo Gloria, Sola Escriptura) Fraternalmente em Cristo. Pb. Gilson dos Santos.

domingo, 14 de agosto de 2011

Tema: OS FUNDAMENTOS DO MINISTÉRIO PASTORAL

Caros leitores, lendo o livro TEOLOGIA PARA VIDA, volume II, publicado pelo Seminário Presbiteriano José Manoel da Conceição, deparei-me com um excelente artigo, educativo, didático e edificante escrito pelo reverendo Gildásio  Jesus Barbosa dos Reis, intitulado UMA FILOSOFIA BÍBLICA DE MINISTÉRIO,  PILARES INEGOCIÁVEIS DO MINISTÉRIO REFORMADO, onde ele aponta cinco fundamentos bíblicos e teológicos que determinam uma prática pastoral reformada, defendendo a necessidade de uma filosofia ministerial pautada nas Escrituras Sagradas.

No momento, estamos vivenciando uma prática ministerial, impulsionada pelo modismo, muitas vezes desprovida de uma reflexão bíblica e descompromissada com as verdades reveladas pelo nosso Senhor. Necessário se faz voltarmos para os fundamentos que devem nortear a prática pastoral.

Todo trabalhador ao desenvolver seu trabalho, o faz, obedecendo a uma filosofia, mesmo que inconscientemente. Uma filosofia de trabalho é um conjunto de princípios que determinará como será desenvolvido este trabalho.

Com o pastor não é diferente, todo pastor ao desenvolver seu ministério também segue um filosofia ministerial. A grande pergunta que devemos fazer é: Será que o meu ministério está atendendo o propósito de Deus? Para que atenda, entendemos que deve estar fundamentado nos pressupostos teológicos apontados pelo reverendo Gildásio, que são:

1-        UMA VISÃO CORRETA DE DEUS.

O Deus bíblico é bem diferente do deus apresentado por algumas igrejas evangélicas. Não poucas vezes Deus é apresentado como um ser incapaz e impotente, que não consegue controlar as catástrofes naturais.

Outras vezes Deus é apresentado como um servo que está ao nosso serviço, pronto para atender as nossas ordens, bastando apenas uma oração mais poderosa ou uma declaração positiva cheia de fé. Este deus, fruto da mente popular, nada tem a ver com a verdade, mais servo do que Senhor e que não gera temor e respeito nas pessoas.

Uma filosofia ministerial bíblica considera a auto-revelação que Deus faz nas Escrituras e procura conhecê-lo como é de seu desejo, sua natureza, seus propósitos, suas atividades e seus atributos: Auto-existente, auto-suficiente, imutável, onisciente, onipotente, santo, bom, imanente e transcendente.

Conhecendo o Deus revelado nas Escrituras somos bem orientados em todo que fazemos: Nossa forma de culto, nossa adoração, nossas orações, nossos métodos evangelístico e nossas condutas.

2-UMA VISÃO CORRETA DO HOMEM

O homem é criatura e pessoa, como pessoa ele tem vontade, desejos, como ser criado ele é absolutamente dependente de Deus, não pode fazer nada à parte da vontade de Deus. Estas duas verdades devem ser mantidas em equilíbrio.

O homem deve ser visto como alguém que está relacionado com Deus, totalmente dependente dele e responsável perante ele.

O homem foi criado a imagem e semelhança de Deus, para refletir Deus, porém o pecado ofuscou essa semelhança, o homem caído é incapaz de entender, buscar, procurar as coisas de Deus (Depravação Total).

 

Jesus Cristo é o nosso restaurador, só através dele a imagem perdida pode ser restaurada porque ele é a imagem perfeita de Deus (Cl 1.15). Deus nos predestinou para sermos conforme à imagem do seu Filho (Rm 8.29). Não somos apenas herdeiros de Deus, mas também co-herdeiros com Cristo, com ele sofremos para que com ele sejamos glorificados. (Rm 8.17)

2-        UMA VISÃO CORRETA DAS ESCRITURAS.

O ministério reformado fundamenta-se na revelação. Somente a Escritura (sola scriptura) afirma que Deus tem um plano eterno que só pode ser corretamente compreendido através da sua revelação especial, não há outra regra de fé, todas as outras levarão ao misticismo e às falsas religiões.

O ministro deve ser fiel às Escrituras. Deve ter a convicção que toda Ela é inspirada por Deus, tudo da escritura procede de Deus. (2Tm 3.16; 2Pe 1.20,21). A Bíblia é inerrante. Ela é fonte segura de qualquer informação e assunto tratado por Ela. (Jo 10.35; Lc 16.17)

A  Bíblia é autoritativa, é inspirada, infalível e ela é suficiente, isto significa que tudo  que o Senhor Deus desejou revelar à sua igreja em matéria de fé e prática está registrado nas Escrituras. (2Tm 3.16,17; 2Ts 2.2; Dt 12.32; Sl119.105)

3-        UMA VISÃO CORRETA DA IGREJA

Qual é o papel fundamental da igreja? Para que ela existe? Por que Deus a deixou no mundo? Estas perguntas devem ser respondidas dentro de uma visão perfeitamente bíblica, pois para se definir o papel do ministro é preciso definir o papel da igreja.

A igreja encontra razão de ser não em si mesma, mas em Deus, logo a igreja existe para adorar e glorificar a Deus, (1Co 10.31; Hb 13.15). Glorificamos a Deus, crendo nele (Ef 2.9-11), colocando-o em primeiro lugar em nossas vidas (1Co 10.31), fazendo a sua vontade ( Jo 12.27,28), confiando e descansando nele (2Co 1.30) e testemunhando dele ( At 13.48).

A igreja existe para anunciar entre as nações a glória de Deus ( Sl 96.2-4). A igreja deve se envolver com a obra missionária, levando as nações a regozijarem-se nele e glorificá-lo acima de tudo.

A igreja existe para preparar as pessoas, para ajudar no crescimento e aplicação de seus dons na edificação de todos e da própria igreja, como um corpo sadio, onde a cabeça é Jesus Cristo, conforme o Espírito Santo. (1Co 12 e 14; Rm 12 ).

4-        UMA VISÃO CORRETA DA LIDERANÇA DA IGREJA

Qual é a função ou a natureza da liderança da igreja? Muitos infelizmente se acham como homens de negócio, profissionais da mídia, ou promotores de eventos eclesiásticos, muitos querem transformar a igreja em um negócio, numa empresa e o pastor um executivo (executivo eclesiástico) que luta para se manter no negócio.

Ser ocupado tornou-se símbolo de status e sucesso, muitos, esquecem-se do diálogo de Jesus com Pedro: "Pedro tu me amas, ..., apascenta as minhas ovelhas, ..., pastoreia as minhas ovelhas". Não se tem mais tempo de caminhar com o rebanho, visitar o rebanho, orar com o rebanho.

A liderança deve ajudar o crente desenvolver-se e aperfeiçoar-se para fazer a vontade de Deus.

CONCLUSÃO

Para que possamos desenvolver com fidelidade e eficácia o ministério que o Espírito Santo nos outorgou, não podemos nos esquecer dos fundamentos bíblicos inegociáveis e com certeza, um dia responderemos a Deus. Fraternalmente em Cristo. Pb. Gilson dos Santos

terça-feira, 2 de agosto de 2011

OS ATRIBUTOS DE DEUS

Caros leitores, este tema é muito interessante e todo servo do Senhor deveria buscar conhecer melhor de Deus, porém quando falamos dos atributos de Deus nos sentimos tão impotentes, porque Deus é tão sublime que as nossas palavras nunca poderão descrever verdadeiramente e na integra sobre os atributos de Deus.

Como pode o finito descrever em sua totalidade o Infinito, como pode a criatura expressar convenientemente o Criador, como pode o impuro descrever na plenitude o Santíssimo? Contudo Deus se revela a nós através das Escrituras (SOLA SCRIPTURA).

"A Bíblia nunca opera com um conceito absoluto de Deus, mas sempre o descreve como o Deus vivente, que entra em várias relações com as suas criaturas, relações que indicam atributos diferentes. Em geral podemos dizer que a bíblia não exalta um atributo de Deus em detrimento dos demais, mas os apresenta como existente em perfeita harmonia com o Ser Divino. Ora um ora outro atributo recebe ênfase, mas as Escrituras tenciona evidentemente dar devida ênfase a cada um deles. O ser de Deus é caracterizado por profundidade, plenitude, variedade e uma glória que excede nossa compreensão, e a Bíblia apresenta isso como um todo glorioso e harmonioso, sem nenhuma contradição inerente. E essa plenitude de Deus acha expressão nas perfeições de Deus, e não, doutra maneira." (Louis Berkhof).

"A Bíblia é às vezes criticada por causa de seus antropomorfismos, quando Deus é apresentado mediante analogias humanas, porém isso se torna na realidade uma benção. Deus se revelando de uma maneira compreensível para o homem.  Como podem os homens melhor entenderem a Deus? Que mais os poderiam aproximar de Deus se não conhecê-lo como um ser espiritual exatamente como eles mesmo? Se a única maneira pelo qual Deus se nos pudesse revelar fosse o vocabulário de uma ciência desconhecida a que não pudéssemos atribuir sentido algum, quão longe ficaria Ele de nós visto Deus transcender muitíssimo às nossas percepções." (David S. Clark).

O termo atributos é rejeitado por vários teólogos por transmitir a idéia de que se pode acrescentar algo ao ser Divino, no entanto vamos utilizá-lo por uma questão didática.

Quanto à classificação, há também divergências, vamos classificá-los em: Atributos incomunicáveis e comunicáveis, por ser a classificação mais utilizada.

Os atributos de Deus podem ser definidos como as perfeições que constituem os predicados do Ser Divino ou que são visivelmente exercidos por Ele em Suas obras de criação, providência e redenção. (Louis Berkhof).

1-      OS ATRBUTOS INCOMUNICÁVEIS

São aqueles que nada análogo existe na criatura, como:

a)       Existência Autônoma de Deus- Deus é auto-existente, ou seja, Ele tem em si mesmo a base de sua existência (Jo 5.26)

b)       Imutabilidade de Deus- É a perfeição pela qual não há mudança nele. Não há mudança em seu ser, em sua perfeição, em seus propósitos e em suas promessas. Seus princípios morais e suas volições permanecem os mesmos ( Ex 3.14; Sl 102.26-28; Is 41.4; Rm 1.23; Hb 1.11,12 ).

c)       Infinidade de Deus- Deus é isento de toda e qualquer limitação Ele não é limitado de maneira alguma, ( Sl 145. 3; Mt 5.48 )

*Onisciência de Deus, Deus sabe todas as coisas e é absolutamente perfeito em seu conhecimento. (Jó 11.7,8)

* Onipotência de Deus- Deus pode realizar e fazer acontecer tudo quanto ele quer. O poder de Deus não conhece limites ou restrições. ( Jó 42.2; Gn 18.14 ).

* A onipresença de Deus- Deus está presente em todos os lugares, estando presente na crição e na vida dos indivíduos. ( Sl 139.7-10; Mt 18.20)

* A eternidade de Deus – Deus tem existido desde a eternidade e há de existir eternamente, nunca teve princípio, nunca há de ter fim. ( Sl 90.2; Ex 3.14; IIPe 3.8).

d)       A unidade de Deus- Deus não está dividido em partes.

        Unitas sigularitatis - Se refere à unicidade de Deus, Ele é numericamente um e como tal Ele é único. (I Co 8.6; IRs 8.60; Dt 6.4).

        Unitas Simplicitatis- Deus está livre de divisões em partes, Deus não é composto e suscetível de divisão em nenhum sentido da palavra.

2-      Os atributos comunicáveis

3-      São aqueles atributos com os quais as propriedades do espírito humano têm alguma analogia como, poder bondade misericórdia, retidão e outros.

a)       Santidade- Deus é santo tanto em transcendência (livre  e independente de tempo e espaço), quanto em pureza moral (separado de tudo que é pecaminoso )  I Sm 2.2; Sl 99; Ap 15.4; Is 57.15; 1Pe 1.15,16)

b)       RETIDÃO E JUSTIÇA DE DEUS

Num certo sentido esses atributos são manifestações da santidade de Deus, a retidão e a justiça sã expressas ao tratar  Deus com os homens. ( Sl 116.5; Sl 145. 17; Jr 12).

c)       MISERICÓRDIA E BONDADE

Esses atributos significam em geral, tanto a bondade quanto a compaixão de Deus, o amor de Deus em sua relação  com os obedientes e os desobedientes entre os filhos dos homens. A bondade leva Deus conceder aos seus filhos obedientes sua benção constante e especial. ( Sl 103.8; Dt 4.31; Sl 36.15; Lc 15.11-32

d)       AMOR DE DEUS

Deus é amor, o que significa que ele se doou eternamente aos outros, os objetos do amor de Deus são Jesus Cristo seu filho unigênito e os crentes em seu filho. Deus ama o mundo constituído de pecadores e ímpios, o amor de Deus se revela fazendo infinito sacrifício para a salvação do homem, através de seu filho concedendo pleno e completo perdão aos arrependidos, lembrando-se dos seus filhos em qualquer circunstâncias da vida.  ( Jo 3.16; Jo 4.8,16; 1Jo 3.16; Mt 3.17; Jo 17.24; Rm 5.18; 1Tm 2.4; Is 38.17; Is 63.9 )

e)       A SOBERANIA DE DEUS

Esta é o absoluto direito que tem Deus de governar e dispor  de todas as suas criaturas do jeito que lhe aprouver, ela se baseia em: Sua infinita superioridade, seu absoluto direito de posse como criador, na absoluta dependência de todas as coisas para com ele, tanto para sua existência como para a continuação dessa existência. ( Dt 4.35; Mt 20.15; Rm 9.21;)

Conclusão

Amados, espero que este breve estudo dos atributos de Deus, contribua para seu crescimento no conhecimento de Deus e que você possa recorrer sempre às Escrituras, que é a fonte inesgotável da revelação . Conhecendo mais de Deus você poderá melhor glorificá-lo e não ser levado por toda sorte de doutrinas, desviando-se das heresias que tem sido arma nas mãos do inimigo. (SOLA SCRIPTURA). Fraternalmente em Cristo, Pb. Gilson dos Santos. Fontes: 1- Teologia Sistemática de Louis Berkhof, 2- Compêndio de Teologia Sistemática de David S. Clark.