sexta-feira, 16 de setembro de 2011

TEOLOGIA EXEGÉTICA

Quando nos dispomos pregar a palavra de Deus é necessário que se busque a correta  interpretação da Bíblia, para isso o pregador deve recorrer a duas importantes ciências da teologia que nos ajuda a entender e interpretar melhor o que o texto nos quer transmitir. Estas ciências são a HERMENÊUTICA e a EXEGESE.

HERMENÊUTICA- É uma palavra grega que significa interpretar, traduzir explicar. Ao se ler um texto bíblico, cada pessoa pode ter um ponto de vista diferente. Pois o ponto de vista depende das necessidades, carências e experiências vividas por cada um. Daí a necessidade de entendermos o texto por si mesmo, independente de nossas experiências pessoais, procurando manter a fidelidade do texto.

EXEGESE-  Essa palavra é uma transliteração do grego e significa narração, exposição. É formada por duas palavras gregas: A primeira, significa "fora de" e a segunda "conduzir, guiar", aplicando-se ao texto bíblico significa " tirar para fora a mensagem do texto".

A bíblia é composta de diversos tipos de literaturas e estilos, por isso é necessário interpretar corretamente cada uma delas, A preocupação de um autor de um livro poético é diferente da de um autor de um livro histórico, neste há inclusão de detalhes que são dispensáveis naquele,  como datas, governantes, posição geográfica, a fim de levar  uma compreensão exata do que o autor quis dizer. Vejamos alguns princípios que regem a exegese e a hermenêutica:

1-PRICÍPIOS DA EXEGESE

a)    Defina bem o texto - Evite pregar em textos muito pequenos para não deixar coisas importantes no contexto, ou em textos muito extensos, pois nesse caso a exposição pode ficar superficial, devemos buscar a definição da "perícope" (bloco central de raciocínio de em determinado texto).

b)    Compare diversas traduções - Leia o texto em outras traduções, pois os tradutores podem dar sinônimos de palavras e isso facilita seu entendimento.

c)    Analise o contexto do texto - Estude o parágrafo anterior e o posterior (contexto imediato). Descubra de onde o personagem está vindo e para onde está indo, o que aconteceu antes e depois do episódio que você está estudando. Analise a idéia ou contexto do livro que está sendo estudado (contexto remoto).

d)    Analise a gramática do texto - Anote o significado das palavras que você não conhece, marque os verbos e faça ligações entre eles, separe as perguntas e as respostas que tiver no texto, marque palavras repetidas, comparações, etc.

e)    Defina o tipo de literatura - Seu texto está nos livros histórico ou profético? Está nos evangélicos ou nas cartas? Essa definição é muito importante para compreender o texto.

f)      Pesquise o contexto histórico-geográfico - Use um dicionário bíblico e entenda quem era o personagem principal do texto, quem era sua família, sua profissão, para onde estava indo de onde estava vindo. Quem era o governador ou Rei, etc. Anote todas as informações que o texto traz a fim de conhecer melhor o que estava acontecendo. Consulte sempre um mapa bíblico.

g)    Identifique o tema principal - Qual é a idéia principal do texto? O que o texto está ensinando? Qual é o pensamento dominante? Tem outras idéias secundárias? Normalmente o tema principal do texto indicará o tema do sermão.

h)    Pesquise em comentários Bíblicos- Não dispense os comentários Bíblicos, pois é o fruto do trabalho árduo de pessoas que já estudaram o texto e anotaram as suas conclusões. Porém só consulte um comentário após ter passados por todos os princípios anteriores.

2-PRINCÍPIO DA HERMENÊUTICA

a)    Princípio da autoridade interna - Cada texto Bíblico apesar de ter mais de uma aplicação, tem um só significado, nossa tarefa é buscar o sentido real do texto e aplicá-lo corretamente. Não é a igreja que autentica a palavra por sua interpretação; é a Bíblia que se autentica a si mesma como palavra autoritativa de Deus.

b)    Princípio do contexto - Contexto é a parte que vem antes ou depois do texto, não devemos interpretar um texto sem antes verificar o seu contexto, pois este ajudará a compreender o significado do texto.

c)     Princípio do texto paralelo - A Bíblia interpreta a si mesma (1Co 2.13). Quando um determinado acontecimento é descrito por mais de um autor, este texto deve ser auxiliado na sua interpretação utilizando o mesmo assunto que ocorre em outras partes das Escrituras Sagradas, pois as informações se complementam e ajudam a entender o texto.

d)    Princípio da autoria do texto - Os diferentes autores da Bíblia viveram em tempos, culturas, situações sociais e regiões diferentes. Portanto, a forma de interpretar um determinado texto será diferente de outro texto escrito por outra pessoa em outro contexto.

e)    Princípio da interpretação do texto - A interpretação do texto é o que a passagem quer dizer no tempo, no espaço e nas circunstâncias e estilo que foram escritas. Alguns textos têm significado literal, outros têm significado simbólico. Um bom exemplo disto é o texto de Jo 2.19 " Destruirei este santuário e em três dias o reconstruirei". Ele se referia a si mesmo e não ao templo de Jerusalém.

Conclusão – A hermenêutica e a exegese são ferramentas para nos ajudar a entender o texto, contudo o pregador deve buscar a unção do EspíritoSanto, a fim de ser um verdadeiro instrumento nas mãos de Deus.

SOLA SCRIPTURA.

FONTE: CURSO PRÁTICO DE PREGAÇÃO. Rev. Dr. Saulo Pereira de Carvalho. Fraternalmente em Cristo, Pb. Gilson dos Santos.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Tema: O ATALAIA - VIGIA ESPIRITUAL DOS NOSSOS DIAS

Findo os sete dias, veio a mim a palavra do senhor, dizendo: Filho do homem eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; da minha boca ouvirás a palavra e os avisarás de minha parte. Quando eu disser ao perverso: Certamente morrerás, e tu não o avisares e nada disseres para o advertir do seu mau caminho, para lhe salvar a vida, esse perverso morrerá na sua iniqüidade, mas o seu sangue da tua mão o requererei. Mas, se avisares o perverso, e ele não se converter de sua maldade, e de seu caminho perverso, ele morrerá na sua iniqüidade, mas tu salvarás a tua alma. (Ez 3.16-19)

As cidades antigas eram muradas, e vigidas por homens bem preparados; as atalaias que ficavam alertas o tempo todo, vigiando a aproximação, a chegada de qualquer suspeita de inimigos, ficavam atentos e não podiam cochilar, era uma tarefa de grande responsabilidade pois de sua eficácia dependia a segurança da cidade, exerciam uma função de defesa da cidade e de seus moradores, ao seu cuidado ficava entregue a segurança e tranqüilidade do povo, dia e noite tinham que vigiar, (Is 21.8)

Vamos desenvolver esse tema enfocando três aspectos: 1- O atalaia como vigia espiritual de si mesmo, 2- o atalaia como vigia espiritual de sua família, 3- o atalaia como vigia espiritual de sua igreja.

1- O ATALAIA - VIGIA ESPIRITUAL DE SI MESMO

O atalaia não era um homem despreparado, certamente ele passava por um treinamento intenso, ele não podia cochilar, ele respondia com sua vida por qualquer descuido que possibilitasse a invasão do inimigo, ele tinha que dar o alerta à qualquer sinal de perigo, mas não podia dar alarme falso para não cair em descrédito e ser eliminado, ele tinha que vigiar primeiro a si mesmo.

Hoje não é diferente, estamos cercados de inimigos espirituais por todos os lados, e o maior deles somos nós mesmos, temos que controlar as nossas vontades, os nossos impulsos, os nossos desejos, temos que dar ouvido a voz do nosso Senhor Jesus Cristo, temos que andar segundo o Espírito Santo e não de acordo com a concupiscência da carne, o leão anda rugindo ao nosso derredor, pronto para nos devorar à qualquer descuido, precisamos vigiar incessantemente, aquele que está de pé cuide-se para que não caia.

E como nos preparar e vigiar? Através da leitura e conhecimento da Escritura, nela temos as lições necessárias para nossa vida, devemos não apenas conhecer seus ensinos, mas viver seus ensinamentos, ela nos torna aptos para anunciar as boas novas, é lâmpada para os nossos pés e luz para os nossos caminhos, ela é viva, é útil para nos corrigir e orientar,ela nos revela a vontade de Deus, nos indica o caminho da salvação apontando para cruz, nos certifica que com Ele , através Dele e para Ele somos mais que vencedores.

Outra maneira, é através da oração. Quando lemos as Escrituras é Deus falando conosco, quando oramos nós falamos com Ele. Esta sintonia não pode ser jamais interrompida, é como ar que respiramos, faltando, morreremos, não pode ser com ruído, havendo, a comunicação será defeituosa, sem entendimento, como radio que chia, como imagem distorcida e desfocada.

2- O ATALAIA - VIGIA ESPIRITUAL DE SUA FAMÍLIA

Deus nos constituiu sacerdotes do nosso lar, temos o dever e a responsabilidade de orientar os nossos filhos para a vida, como perfeitos cidadãos, conscientes de seus direitos e deveres, contribuindo para construção de uma sociedade mais justa, digna, agradável, culta e feliz.

Devemos também instruir nossos filhos na cidadania espiritual, a serem servos do Deus altíssimo, do Deus vivo, Deus de amor e justiça, Deus que está de olhos abertos a procura daqueles que o adoram em espírito e em verdade.

Devemos ensinar nossos filhos a amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao seu próximo como a si mesmo, devemos ensinar que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática, que somos cidadão do Reino e filhos da luz, portanto, como tal, devem ser imitadores de Cristo e exalar o seu doce perfume, ser fieis e proclamadores da salvação somente em Jesus Cristo.

Permanecer fieis as sãs doutrinas para não serem levados por toda sorte de heresias que tem imperado nos nossos dias. Não se conformarem com este século, mas transformá-lo com a renovação de suas mentes e andarem conforme Paulo recomendou a Timóteo: "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade". (2Tm 2.15);

3- O ATALAIA - VIGIA ESPIRITUAL DA IGREJA

Assim como o atalaia estava preparado, vigiando, atento para detectar aproximação do inimigo e tocar trombeta, alertando a cidade, dando tempo para preparação da defesa, como atalaias da igreja temos que estar atentos para avisar ao pastor, ao conselho, às autoridades eclesiásticas quando o inimigo se aproxima.

Assim como o atalaia sabia identificar o inimigo, nós também temos que aprender claramente distinguir os nossos inimigos, os inimigos da igreja. Vamos relembrar alguns desses inimigos: a) Modismo Amados, como as nossas igrejas têm enfrentado este grande inimigo? O modismo tem procurado adentrar em nossas igrejas através de modo sutil, disfarçados, com roupagem de coisa boa, boa para os jovens, boa para a evolução da igreja, boa para a atração e permanência dos membros na igreja e por aí vai!

Cegos! Não sabeis que Deus não admite fogo estranho no templo, na nossa vida, que nossa sapiência é nada para Deus, que é o Espírito Santo que convence do pecado, do juízo e da justiça. Não precisamos inventar nada, tudo está nas Escrituras, importa que preguemos a salvação, que o culto tem de ser para agradar a Deus e não aos homens, que temos que falar o que Deus manda falar e não o que o homem quer ouvir.

Que o culto tem que estar centralizado na Palavra e não em outros atrativos periféricos e secundários como: Música, profecias, curas, propagandas, vendas, elogios, espetáculos circenses, etc. Deus pode agir como quiser, mas não podemos ditar o agir de Deus.

b) Fofocas Platão falou que os grandes homens falam de idéias, o homem mediano fala de coisas e os homens medíocres falam dos outros (são fofoqueiros). Fofoqueiros causam grande estrago na vida da igreja, como nos alerta Tiago "Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã."( Tg 1.26).

c) Mentiras. A mentira é filha do diabo, como a mentira tem prejudicado ao crescimento da igreja e o pior é que a mentira pode vir do próprio púlpito, mentiras na pregação, inverdades quanto Deus, sua natureza, atributos e providências. Mentiras quanto ao homem, sua queda, sua depravação total sua forma de salvação, de adoração sua dependência total de Deus, pontos que são deturpados e afastados das verdades bíblicas. Irmãos mentirosos que fermentam, azedam a vida da igreja, lobos que tentam arrastar atrás de si até os eleitos.

d) Heresias "Assim, como, no meio do povo, surgirão falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os regatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição."(2Pe 2.1)

Literalmente a palavra heresia significa "escolha" quando nos referimos a uma religião ela passa ter sentido de "Princípios ou doutrinas contrárias aos ensinamentos ou dogmas da igreja. No cristianismo pode ser traduzida como ensinamentos contrários ao ensinados pelos apóstolos, como o gnosticismo, panteísmo, docetísmo e outras.

Nos tempos modernos nos deparamos com outras formas que podem ser chamadas de heresias modernas ou novas heresias, como: * Oração contrária- O cristão tem o poder de em nome de Deus amaldiçoar outras pessoas através de uma oração positiva e determinante. * Cobertura apostólica- Muitos cristãos não podem fazer nada sem antes consultar o seu pastor ou "apóstolo". * Atos proféticos- Declarar profeticamente atos de obtenção de bênçãos, curas expulsão de demônios, etc. * Cartografia Espiritual- Certos locais e até cidades ou países estão sobre o domínio do diabo. *Mapeamento espiritual- Procurar descobrir onde o demônio está alojado, se no nariz, na perna, na barriga, para poder expulsá-lo. * Culto da barriga- Dois crentes correm em direção um ao outro e batem as barrigas, caindo de costas num transe espiritual. * Sem contar o modismo da guerra espiritual e da falácia da maldição hereditária, do sopro sagrado, do dente de ouro, das quedas em transe, do paletó que derruba, da dor de cabeça aí atrás, da fogueira santa, (sem comentário, pois muito já se comentou)

Meus caros, leitores, são tantas invenções e asneiras (vem de asno mesmo), que poderíamos gastar páginas e páginas, mas não vale a pena!

CONCLUSÃO

Todo crente foi chamado para servir no Reino de Deus, não podemos descuidar, devemos permanecer atentos, vigilantes como verdadeiros atalaias, tocando a trombeta anunciando a aproximação do inimigo espiritual de nós mesmos, de nossa família e de nossa igreja. NÃO PODEMOS NOS CALAR. (Soli Deo Gloria, Sola Escriptura) Fraternalmente em Cristo. Pb. Gilson dos Santos.

domingo, 14 de agosto de 2011

Tema: OS FUNDAMENTOS DO MINISTÉRIO PASTORAL

Caros leitores, lendo o livro TEOLOGIA PARA VIDA, volume II, publicado pelo Seminário Presbiteriano José Manoel da Conceição, deparei-me com um excelente artigo, educativo, didático e edificante escrito pelo reverendo Gildásio  Jesus Barbosa dos Reis, intitulado UMA FILOSOFIA BÍBLICA DE MINISTÉRIO,  PILARES INEGOCIÁVEIS DO MINISTÉRIO REFORMADO, onde ele aponta cinco fundamentos bíblicos e teológicos que determinam uma prática pastoral reformada, defendendo a necessidade de uma filosofia ministerial pautada nas Escrituras Sagradas.

No momento, estamos vivenciando uma prática ministerial, impulsionada pelo modismo, muitas vezes desprovida de uma reflexão bíblica e descompromissada com as verdades reveladas pelo nosso Senhor. Necessário se faz voltarmos para os fundamentos que devem nortear a prática pastoral.

Todo trabalhador ao desenvolver seu trabalho, o faz, obedecendo a uma filosofia, mesmo que inconscientemente. Uma filosofia de trabalho é um conjunto de princípios que determinará como será desenvolvido este trabalho.

Com o pastor não é diferente, todo pastor ao desenvolver seu ministério também segue um filosofia ministerial. A grande pergunta que devemos fazer é: Será que o meu ministério está atendendo o propósito de Deus? Para que atenda, entendemos que deve estar fundamentado nos pressupostos teológicos apontados pelo reverendo Gildásio, que são:

1-        UMA VISÃO CORRETA DE DEUS.

O Deus bíblico é bem diferente do deus apresentado por algumas igrejas evangélicas. Não poucas vezes Deus é apresentado como um ser incapaz e impotente, que não consegue controlar as catástrofes naturais.

Outras vezes Deus é apresentado como um servo que está ao nosso serviço, pronto para atender as nossas ordens, bastando apenas uma oração mais poderosa ou uma declaração positiva cheia de fé. Este deus, fruto da mente popular, nada tem a ver com a verdade, mais servo do que Senhor e que não gera temor e respeito nas pessoas.

Uma filosofia ministerial bíblica considera a auto-revelação que Deus faz nas Escrituras e procura conhecê-lo como é de seu desejo, sua natureza, seus propósitos, suas atividades e seus atributos: Auto-existente, auto-suficiente, imutável, onisciente, onipotente, santo, bom, imanente e transcendente.

Conhecendo o Deus revelado nas Escrituras somos bem orientados em todo que fazemos: Nossa forma de culto, nossa adoração, nossas orações, nossos métodos evangelístico e nossas condutas.

2-UMA VISÃO CORRETA DO HOMEM

O homem é criatura e pessoa, como pessoa ele tem vontade, desejos, como ser criado ele é absolutamente dependente de Deus, não pode fazer nada à parte da vontade de Deus. Estas duas verdades devem ser mantidas em equilíbrio.

O homem deve ser visto como alguém que está relacionado com Deus, totalmente dependente dele e responsável perante ele.

O homem foi criado a imagem e semelhança de Deus, para refletir Deus, porém o pecado ofuscou essa semelhança, o homem caído é incapaz de entender, buscar, procurar as coisas de Deus (Depravação Total).

 

Jesus Cristo é o nosso restaurador, só através dele a imagem perdida pode ser restaurada porque ele é a imagem perfeita de Deus (Cl 1.15). Deus nos predestinou para sermos conforme à imagem do seu Filho (Rm 8.29). Não somos apenas herdeiros de Deus, mas também co-herdeiros com Cristo, com ele sofremos para que com ele sejamos glorificados. (Rm 8.17)

2-        UMA VISÃO CORRETA DAS ESCRITURAS.

O ministério reformado fundamenta-se na revelação. Somente a Escritura (sola scriptura) afirma que Deus tem um plano eterno que só pode ser corretamente compreendido através da sua revelação especial, não há outra regra de fé, todas as outras levarão ao misticismo e às falsas religiões.

O ministro deve ser fiel às Escrituras. Deve ter a convicção que toda Ela é inspirada por Deus, tudo da escritura procede de Deus. (2Tm 3.16; 2Pe 1.20,21). A Bíblia é inerrante. Ela é fonte segura de qualquer informação e assunto tratado por Ela. (Jo 10.35; Lc 16.17)

A  Bíblia é autoritativa, é inspirada, infalível e ela é suficiente, isto significa que tudo  que o Senhor Deus desejou revelar à sua igreja em matéria de fé e prática está registrado nas Escrituras. (2Tm 3.16,17; 2Ts 2.2; Dt 12.32; Sl119.105)

3-        UMA VISÃO CORRETA DA IGREJA

Qual é o papel fundamental da igreja? Para que ela existe? Por que Deus a deixou no mundo? Estas perguntas devem ser respondidas dentro de uma visão perfeitamente bíblica, pois para se definir o papel do ministro é preciso definir o papel da igreja.

A igreja encontra razão de ser não em si mesma, mas em Deus, logo a igreja existe para adorar e glorificar a Deus, (1Co 10.31; Hb 13.15). Glorificamos a Deus, crendo nele (Ef 2.9-11), colocando-o em primeiro lugar em nossas vidas (1Co 10.31), fazendo a sua vontade ( Jo 12.27,28), confiando e descansando nele (2Co 1.30) e testemunhando dele ( At 13.48).

A igreja existe para anunciar entre as nações a glória de Deus ( Sl 96.2-4). A igreja deve se envolver com a obra missionária, levando as nações a regozijarem-se nele e glorificá-lo acima de tudo.

A igreja existe para preparar as pessoas, para ajudar no crescimento e aplicação de seus dons na edificação de todos e da própria igreja, como um corpo sadio, onde a cabeça é Jesus Cristo, conforme o Espírito Santo. (1Co 12 e 14; Rm 12 ).

4-        UMA VISÃO CORRETA DA LIDERANÇA DA IGREJA

Qual é a função ou a natureza da liderança da igreja? Muitos infelizmente se acham como homens de negócio, profissionais da mídia, ou promotores de eventos eclesiásticos, muitos querem transformar a igreja em um negócio, numa empresa e o pastor um executivo (executivo eclesiástico) que luta para se manter no negócio.

Ser ocupado tornou-se símbolo de status e sucesso, muitos, esquecem-se do diálogo de Jesus com Pedro: "Pedro tu me amas, ..., apascenta as minhas ovelhas, ..., pastoreia as minhas ovelhas". Não se tem mais tempo de caminhar com o rebanho, visitar o rebanho, orar com o rebanho.

A liderança deve ajudar o crente desenvolver-se e aperfeiçoar-se para fazer a vontade de Deus.

CONCLUSÃO

Para que possamos desenvolver com fidelidade e eficácia o ministério que o Espírito Santo nos outorgou, não podemos nos esquecer dos fundamentos bíblicos inegociáveis e com certeza, um dia responderemos a Deus. Fraternalmente em Cristo. Pb. Gilson dos Santos

terça-feira, 2 de agosto de 2011

OS ATRIBUTOS DE DEUS

Caros leitores, este tema é muito interessante e todo servo do Senhor deveria buscar conhecer melhor de Deus, porém quando falamos dos atributos de Deus nos sentimos tão impotentes, porque Deus é tão sublime que as nossas palavras nunca poderão descrever verdadeiramente e na integra sobre os atributos de Deus.

Como pode o finito descrever em sua totalidade o Infinito, como pode a criatura expressar convenientemente o Criador, como pode o impuro descrever na plenitude o Santíssimo? Contudo Deus se revela a nós através das Escrituras (SOLA SCRIPTURA).

"A Bíblia nunca opera com um conceito absoluto de Deus, mas sempre o descreve como o Deus vivente, que entra em várias relações com as suas criaturas, relações que indicam atributos diferentes. Em geral podemos dizer que a bíblia não exalta um atributo de Deus em detrimento dos demais, mas os apresenta como existente em perfeita harmonia com o Ser Divino. Ora um ora outro atributo recebe ênfase, mas as Escrituras tenciona evidentemente dar devida ênfase a cada um deles. O ser de Deus é caracterizado por profundidade, plenitude, variedade e uma glória que excede nossa compreensão, e a Bíblia apresenta isso como um todo glorioso e harmonioso, sem nenhuma contradição inerente. E essa plenitude de Deus acha expressão nas perfeições de Deus, e não, doutra maneira." (Louis Berkhof).

"A Bíblia é às vezes criticada por causa de seus antropomorfismos, quando Deus é apresentado mediante analogias humanas, porém isso se torna na realidade uma benção. Deus se revelando de uma maneira compreensível para o homem.  Como podem os homens melhor entenderem a Deus? Que mais os poderiam aproximar de Deus se não conhecê-lo como um ser espiritual exatamente como eles mesmo? Se a única maneira pelo qual Deus se nos pudesse revelar fosse o vocabulário de uma ciência desconhecida a que não pudéssemos atribuir sentido algum, quão longe ficaria Ele de nós visto Deus transcender muitíssimo às nossas percepções." (David S. Clark).

O termo atributos é rejeitado por vários teólogos por transmitir a idéia de que se pode acrescentar algo ao ser Divino, no entanto vamos utilizá-lo por uma questão didática.

Quanto à classificação, há também divergências, vamos classificá-los em: Atributos incomunicáveis e comunicáveis, por ser a classificação mais utilizada.

Os atributos de Deus podem ser definidos como as perfeições que constituem os predicados do Ser Divino ou que são visivelmente exercidos por Ele em Suas obras de criação, providência e redenção. (Louis Berkhof).

1-      OS ATRBUTOS INCOMUNICÁVEIS

São aqueles que nada análogo existe na criatura, como:

a)       Existência Autônoma de Deus- Deus é auto-existente, ou seja, Ele tem em si mesmo a base de sua existência (Jo 5.26)

b)       Imutabilidade de Deus- É a perfeição pela qual não há mudança nele. Não há mudança em seu ser, em sua perfeição, em seus propósitos e em suas promessas. Seus princípios morais e suas volições permanecem os mesmos ( Ex 3.14; Sl 102.26-28; Is 41.4; Rm 1.23; Hb 1.11,12 ).

c)       Infinidade de Deus- Deus é isento de toda e qualquer limitação Ele não é limitado de maneira alguma, ( Sl 145. 3; Mt 5.48 )

*Onisciência de Deus, Deus sabe todas as coisas e é absolutamente perfeito em seu conhecimento. (Jó 11.7,8)

* Onipotência de Deus- Deus pode realizar e fazer acontecer tudo quanto ele quer. O poder de Deus não conhece limites ou restrições. ( Jó 42.2; Gn 18.14 ).

* A onipresença de Deus- Deus está presente em todos os lugares, estando presente na crição e na vida dos indivíduos. ( Sl 139.7-10; Mt 18.20)

* A eternidade de Deus – Deus tem existido desde a eternidade e há de existir eternamente, nunca teve princípio, nunca há de ter fim. ( Sl 90.2; Ex 3.14; IIPe 3.8).

d)       A unidade de Deus- Deus não está dividido em partes.

        Unitas sigularitatis - Se refere à unicidade de Deus, Ele é numericamente um e como tal Ele é único. (I Co 8.6; IRs 8.60; Dt 6.4).

        Unitas Simplicitatis- Deus está livre de divisões em partes, Deus não é composto e suscetível de divisão em nenhum sentido da palavra.

2-      Os atributos comunicáveis

3-      São aqueles atributos com os quais as propriedades do espírito humano têm alguma analogia como, poder bondade misericórdia, retidão e outros.

a)       Santidade- Deus é santo tanto em transcendência (livre  e independente de tempo e espaço), quanto em pureza moral (separado de tudo que é pecaminoso )  I Sm 2.2; Sl 99; Ap 15.4; Is 57.15; 1Pe 1.15,16)

b)       RETIDÃO E JUSTIÇA DE DEUS

Num certo sentido esses atributos são manifestações da santidade de Deus, a retidão e a justiça sã expressas ao tratar  Deus com os homens. ( Sl 116.5; Sl 145. 17; Jr 12).

c)       MISERICÓRDIA E BONDADE

Esses atributos significam em geral, tanto a bondade quanto a compaixão de Deus, o amor de Deus em sua relação  com os obedientes e os desobedientes entre os filhos dos homens. A bondade leva Deus conceder aos seus filhos obedientes sua benção constante e especial. ( Sl 103.8; Dt 4.31; Sl 36.15; Lc 15.11-32

d)       AMOR DE DEUS

Deus é amor, o que significa que ele se doou eternamente aos outros, os objetos do amor de Deus são Jesus Cristo seu filho unigênito e os crentes em seu filho. Deus ama o mundo constituído de pecadores e ímpios, o amor de Deus se revela fazendo infinito sacrifício para a salvação do homem, através de seu filho concedendo pleno e completo perdão aos arrependidos, lembrando-se dos seus filhos em qualquer circunstâncias da vida.  ( Jo 3.16; Jo 4.8,16; 1Jo 3.16; Mt 3.17; Jo 17.24; Rm 5.18; 1Tm 2.4; Is 38.17; Is 63.9 )

e)       A SOBERANIA DE DEUS

Esta é o absoluto direito que tem Deus de governar e dispor  de todas as suas criaturas do jeito que lhe aprouver, ela se baseia em: Sua infinita superioridade, seu absoluto direito de posse como criador, na absoluta dependência de todas as coisas para com ele, tanto para sua existência como para a continuação dessa existência. ( Dt 4.35; Mt 20.15; Rm 9.21;)

Conclusão

Amados, espero que este breve estudo dos atributos de Deus, contribua para seu crescimento no conhecimento de Deus e que você possa recorrer sempre às Escrituras, que é a fonte inesgotável da revelação . Conhecendo mais de Deus você poderá melhor glorificá-lo e não ser levado por toda sorte de doutrinas, desviando-se das heresias que tem sido arma nas mãos do inimigo. (SOLA SCRIPTURA). Fraternalmente em Cristo, Pb. Gilson dos Santos. Fontes: 1- Teologia Sistemática de Louis Berkhof, 2- Compêndio de Teologia Sistemática de David S. Clark.

ÉTICA CRISTÃ - UMA TOMADA DE DECISÃO

A palavra ética é uma palavra de origem grega, ethos significando costume ou hábito, com o passar do tempo tomou outro sentido passando ser entendido como um conjunto de ideais, princípios ou condutas humanas aprovadas por uma sociedade, grupo ou cultura.


Quando falamos em ética cristã, entendemos que nos referimos ao modo como deve se portar o cristão em suas decisões e condutas, diante de si mesmo, da sociedade e, principalmente, diante de Deus.


Nós temos uma regra de fé e prática que é a Bíblia e entendemos que a ética cristã deve estar diretamente relacionada com a palavra de Deus. Ela nos orienta em nossa conduta. Devemos  seguir os ensinamentos por ela preconizado.


Jesus Cristo nos ensina  em Mateus 22.37-40."Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo semelhante a este é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas."


Devemos, acima de tudo, amar a Deus intensamente e também ao nosso próximo, (as pessoas como se fossem nós mesmo). A ética cristã não pode ser distanciada do ensino bíblico, devemos seguir o que recomenda Tiago: "Porque se alguém é ouvinte da palavra e não praticante assemelha-se ao homem que contempla, num espelho, o seu rosto natural, pois a si mesmo si contempla, e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência. Mas aquele que considera, atentamente na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realiza." (Tg 1.23-25)


Os primeiros reformados não faziam distinção entre "ética" e "dogmática". Doutrina e vida eram uma só coisa.  A doutrina bíblica era admirada corretamente como a fonte e o fundamento essencial do viver cristão e um viver santo era a aplicação necessária da doutrina sã. Portanto, inicialmente, a ética estava envolta em toda a forma de ensino doutrinário, incluindo sermões, confissões, catecismos e tratados. (Nelson Kloosterman).

Podemos entender que:


a) A ética cristã deve ser cristocêntrica, centrada em Jesus cristo, caracterizando tudo que está associada com a fé, seguir o padrão estabelecido por Cristo.

b) Deve ser fundamentada na soberania de Deus.

c) Deve visar à glória de Deus, como alvo de todas as coisas, principalmente do viver cristão.

d) Deve ser sustentada pela justificação e santificação.

e) Deve demonstrar que, a restauração da imagem de Deus que foi perdida com o pecado, é o alvo do evangelho, o propósito da salvação e a plena expressão da vida cristã, naqueles que estão unidos com Cristo


Então, amados, como novas criaturas em Cristo, os crentes devem ser renovados em conhecimento, justiça e santidade, de acordo com a imagem do seu Criador e de seu Senhor Jesus Cristo. (Cl 3.9,10)


"E todos nós com o rosto desvendados, contemplando, como por espelho, a glória do  Senhor, somos transformados de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o  Espírito".( 2Co 3.18)


E para concluir, vamos transcrever um comentário de João Calvino, sobre o texto de Tiago 4.24. "E vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade."


Adão foi inicialmente criado a imagem e a semelhança de Deus, para que pudesse refletir, como por um espelho, a justiça de Deus, mas aquela imagem havendo sido apagada pelo pecado, tem de ser agora restaurada em  Jesus Cristo.


A regeneração dos santos, na verdade, outra coisa não é, a luz de Corintios 3.18 , senão o reforma da imagem de Deus  nos homens, mas a graça de Deus, na segunda criação é muito mais rica e poderosa que na primeira. 


Todavia a Escritura apenas leva em conta que a nossa mais elevada perfeição consiste em nossa conformidade e semelhança com Deus. Adão perdeu a imagem que originalmente recebera, portanto, é necessário dizer que ela nos será restaurada por meio de Cristo. Por isso, o apóstolo ensina que o desígnio da regeneração é conduzir-nos de volta do erro àquele fim para o qual fomos criados. (João Calvino).


Caros leitores, esperamos que este breve texto possa contribuir em nossas tomadas de decisões, pois em todas elas, devemos refletir a imagem do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. (SOLE DEO GLORIA). Fraternalmente em Cristo. Pb. Gilson dos Santos. Fonte: VIVENDO PARA A GLÓRIA DE DEUS- Joel R. Beeke 

segunda-feira, 25 de julho de 2011

TEODICÉIA- PODEMOS JUSTIFICAR DEUS?

Amados, qual de nós, ainda não nos deparamos, com a seguinte pergunta:
" Se Deus é amor, bondade, onipotente e onisciente, porque Ele permiti o mal  no mundo?"

Antes de tentarmos responder esta pergunta vamos mostrar algumas correntes filosóficas que tentam elucidar esta questão, conhecidas como TEODICÉIA.

A palavra "teodicéia" é  de origem grega, formada por duas palavras gregas, theos (Deus) e   dik (raiz do verbo justificar). Teodicéia é a tentativa de justificar Deus diante do homem, pelo mal que há no mundo.  Você apresenta uma teodicéia quando tenta responder à pergunta: "Por que Deus permite o mal?"

Na história da humanidade sempre houve tentativa de explicar a existência de Deus e a presença do mal, mesmo antes da revelação judeu-cristã. Umas vinculadas à natureza de Deus, outras  à idéia do próprio mal, vejamos algumas dessas teodicéias.

1-TEODICÉIA DUALISTA

Esta teodicéia se fundamenta na idéia da existência de dois deuses, um do bem (Ahura Mazda), sábio e bom, outro do mal (Ahriman) do mal, responsável por todo o mal, coexistente desde o começo do mundo. Estes dois deuses sempre lutam em posições contrárias. O zoroastrismo Persa defendia essa idéia.

O maniqueísmo afirmava que o bem e o mal vinham de fontes diferentes, aderindo a idéia de dualidade, duas forças iguais e opostas desde toda eternidade.

2-TEODICÉIA HARMONISTA

A presença do bem e do mal no universo é para que haja um equilíbrio harmônico, o filósofo Leibniz argumentava que um mundo contendo o mal físico e moral é melhor porque é metafisicamente mais rico, do que um mundo contendo apenas o bem. Esta teodicéia tenta mostrar que o mundo se torna melhor com a presença do mal do que com a ausência dele.

3-TEODICÉIA PANTEISTA

A filosofia panteísta defende que tudo é uma extensão de Deus e que todas as coisas são Deus, se todas as coisas são uma extensão de Deus e o mal existe, então, o mal é algo inerente em Deus. Sugere que o mal reside em Deus.

Outra corrente panteísta (Zen Budismo), apresenta o mal como uma ilusão, já que eles sustentam que o mundo real é apenas o Brahma e o mundo externo (maya) é uma ilusão. O movimento filosófico-religioso chamado Ciência Cristã também caminha nessa linha.

4-TEODICÉIA TEOLÓGICA

Nessa visão o mal tem um lugar no cosmo, tem um propósito uma finalidade, um objetivo (telos), por ter um objetivo tenta-se diminuir ou eliminar do mal o sua maldade. Se o mal traz algum benefício, então por causa do seu objetivo ele pode ser aliviado.  Todo mal pode no final trazer algum benefício.

5- TEODICÉIA DO FINITISMO

É fundamentada na idéia de que Deus é limitado em seus poderes, apesar de ser toda bondade, Deus não é todo- poderoso (onipotente), sendo incapaz de destruir o mal, logo se Deus não é capaz de destruir o mal, então existe um poder maior que Deus. Essa corrente não se preocupa em explicar a origem do mal. Deus é limitado porque ele não pode ir contra as leis da natureza ou mesmo contra as decisões feitas pela livre vontade do homem.

6- TEODICÉIA DO IMPOSSIBILISMO

Esta corrente afirma que Deus não pode prever o mal no mundo, porque há uma escolha livre do homem (liberum arbitrium). Deus só pode conhecer aquilo que é passível de ser conhecido, Deus não pode conhecer coisas impossíveis de serem conhecidas; Deus não pode prever as ações futuras dos homens, portanto num mundo de criaturas livres, é impossível  para Deus prever o mal.

Outro tipo de impossibilismo é traduzido com a impossibilidade de Deus destruir o mal, porque para isso teria que destruir a livre escolha do homem e destruir a livre escolha do homem é em si mesmo um mal.

7-TEODICÉIA REFORMADA

É evidente, que essas teorias e correntes não são Bíblicas. O pecado não é ilusão e causou a queda do homem e trouxe a maldição de Deus para todo o universo. Deus é o criador ex nihilo do universo e também é o seu sustentador, não tem concorrente.

Ele é único e não se admite qualquer dualismo, além do mais Deus não escolheu este mundo porque ele é o melhor, mas este mundo é melhor porque Deus o escolheu, as escolhas de Deus não são determinadas por nada ou por ninguém fora de si mesmo.

Quando alguém procura saber da razão da vontade de Deus está procurando algo mais elevado que a vontade de Deus, e isso é impossível de ser encontrado. Não podemos retirar a responsabilidade do homem pelo pecado, a Bíblia é clara em relação a isto, o homem é responsável pelo seu pecado.

O capítulo III, da  Confissão de Fé de Westminster trata dos decretos eternos de Deus e o capítulo V, da providência. Vejamos:

      III-I "Desde toda eternidade, e pelo sapientíssimo e santíssimo conselho de sua própria vontade, Deus ordenou livre imutavelmente tudo quanto acontece; porém, de modo tal que, nem é Deus o autor do pecado, nem se faz violência à vontade das criaturas, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes são estabelecidas."

   V- II "Ainda que em relação à presciência e decreto de Deus, que é a causa primeira, todas as coisas aconteçam imutável e infalivelmente, todavia pela providência, Ele ordena que alas sucedam segundo a natureza das causas secundárias, livre ou contigentemente."

   V-IV "O onipotente poder, a imutável sabedoria e a infalível bondade de Deus, de tal maneira se manifesta em sua providência, que se estende até mesmo à primeira queda e a todos os demais pecados dos anjos e dos homens, e isso não por uma mera permissão, mas por uma permissão tal que, sábia e poderosamente limitando-os, bem como regulando-os e governando-os, numa múltipla dispensação, para seus próprios e santos propósitos, de tal modo que a pecaminosidade dessas transgressões procede tão-somente das criaturas, e não de Deus, e sendo Ele santíssimo e justíssimo, nem é e nem pode ser o autor ou o aprovador do pecado."

Comentário:

-Deus não só permite os atos pecaminosos, mais os dirige, controla segundo a determinação de seus próprios propósitos.

- Contudo a pecaminosidade dessas ações só pertencem ao agente pecador, e Deus de forma alguma é o autor ou aprovador do pecado.

- As ações pecaminosas, como todas as demais, são expressas nas Escrituras como ocorrendo pela permissão de Deus e de acordo com os seus propósitos, de modo que o que os homens perversamente fazem diz-se ser ordenado por Deus e Ele constantemente restringe e controla os homens em seus pecados.

- A providência de Deus em vez de gerar o pecado ou aprová-lo, preocupa-se constantemente em proibi-lo pela lei positiva, ao desencorajá-lo com ameaças e punições reais, ao restringi-lo e ao regulá-lo para o bem, contra a sua própria natureza.

Quero encerrar, citando uma observação de Jerome Zanchius. "A vontade de Deus é de tal modo a causa de todas as coisas, quanto ela própria não tem causa, uma vez que não há nada que possa ser a causa daquilo que causa todas as coisas. Assim nós encontramos todo assunto resolvido em última instância na simples satisfação de Deus. Ele não tem outro motivo para aquilo que faz além da sua mera vontade  (ipsa voluntas). "

Fontes: 1-Confissão de Fé de westminster, comentada por A. A. Hodge. 2- A Providência e a sua realização histórica de Heber Carlos de Campos. 3- Uma Teodicéia Bíblica por W. Gary Campton. 4-monergismo.com,  de Filipe Sabino de Araújo Neto.

Fraternalmente em Cristo, Pb. Gilson dos Santos


sexta-feira, 22 de julho de 2011

EM BUSCA DE UM MILAGRE

Amado, para melhor entendimento deste tema, em primeiro lugar, vamos procurar entender o correto significado da palavra milagre, o propósito dos milagres e qual a real importância dos milagres, para o s crentes e para a igreja, em segundo lugar qual a relação entre fé e milagres.

O QUE É MILAGRE?

Das providências de Deus, teólogos costumam classificá-las em: ordinárias e extraordinárias. Segundo Louis Berkhof, nas providências ordinárias, Deus usa as causas secundárias em estrito acordo com as leis da natureza.

Nas extraordinárias, Deus age imediatamente ou sem a mediação das causas secundárias. Diz Mcpherson: Milagre é uma coisa feita sem se recorrer aos meios ordinários de produção, um resultado produzido diretamente pela causa primária, sem a mediação das causas secundárias. O que caracteriza o milagre é que ele resulta do exercício do poder sobrenatural de Deus.

O PROPÓSITO DOS MILAGRES

Os milagres não foram realizados de maneira arbitrária e sem propósitos, não foram meras maravilhas para provocarem admiração ou exibição de poder. O propósito dos milagres é revelacional. Deus revelando algo para o homem, o criador se revelando à criatura.

Para mostrar a fonte da mensagem, no caso de Moises (Ex 4.1-17), para provar seu poder para perdoar pecados, no caso de Jesus (Mc 2.1-12). O Espírito Santo deu poder miraculosos aos apóstolos para confirmar a palavra que eles pregaram (Mc 16.20).

Paulo escreve em 2Co 12.12 . "Pois as credenciais do apostolado foram apresentadas no meio de vós, com toda a persistência, por sinais prodígios e poderes miracolosos."

A IMPORTÂNCIA DOS MILAGRES PARA O CRENTE

No início do século XX surge o movimento pentecostal dando grande ênfase às manifestações do Espírito, despertando nos crentes uma busca do sobrenatural de Deus (milagres).

Muitos estão buscando até de uma forma egoísta os milagres, querem curas físicas sem se preocupar com saúde espiritual, estão buscando prosperidade, mais não buscam as riquezas eternas, correm para o sobrenatural e negligenciam a palavra de Deus. Este é o grande perigo daqueles que procuram os milagres de Deus e não o Deus dos milagres.

Mateus nos escreve: "Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas." Mt 6.33. mas também ensina: "Pedi, e dar-se-vos-á, buscai e achareis; batei, e abrie-se-vos-á" (Mt 7.7). Então creio que devemos sim, buscar os milagres de Deus, mais não fazermos disto o ponto crucial de nossa adoração. Que possamos proceder como Paulo que ouviu a vós de Jesus dizendo " A minha graça te basta" e compreender a vontade e a soberania de Deus.

RELAÇÃO ENTRE FÉ E MILAGRE

"Jesus porem lhes respondeu: Em verdade vos digo, se tiverdes fé e não duvidardes, não somente fareis o que foi feito à figueira, mas até mesmo, se a este monte disserdes: Ergue-te e lança-te no mar, tal se sucederá. E tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis." (Mt 21.21-22)

Observamos nestes versos que a fé e a oração é a chave que pode mover o coração de Deus, pois Ele é misericordioso, amoroso e conhece as nossas necessidades.

CONCLUSÃO

"Rabi sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele". (Jo 3.2).Este texto nos fala do diálogo entre Nicodemos e Jesus, observem que, Nicodemos começa falando dos sinais feito por Jesus, dando tanta importância a eles que faz desses sinais um atestado de que Jesus era da parte de Deus e estava com Deus, tudo bem, mais observem que Jesus desvia completamente o ruma daquela prosa, não dando importância para o que Nicodemos estava falando e diz: "Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." (Jo 3.3)

Jesus poderia conduzir aquela conversa, dizendo. É mesmo Nicodemos eu sou o cara, viu!Quantos milagres e sinais eu posso fazer, e falar horas e horas de seus milagres, mas não, Jesus não estava interessado nos milagres, ele podia e pode fazer tantos quanto queira, Ele fez o céu, Ele fez a terra, Ele fez o mar e tudo o que neles há.

Jesus estava interessado na alma de Nicodemos, no destino eterno de Nicodemos e imediatamente fala a Nicodemos sobre o processo de salvação. "Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus". Amados eu quero dizer para você que Jesus pode agora fazer um grande milagre em sua vida, pois Ele é Deus e tudo pode, ele pode te curar, ele pode te dar prosperidade, pode te dar alegria no lugar de tristeza, pode fazer renascer os teus sonhos, pode..., pode..., pode tudo! Mas o maior milagre para você, Jesus já realizou naquela sangrenta cruz, foi a sua SALVAÇÃO . E se você ainda não aceitou Jesus e não nasceu de novo aceite-o! Crê já somente no Senhor e mais feliz serás, confia só em seu poder e a paz encontrarás, Confia em Deus, eu sei que Ele te amará e pela tua mão te guiará, confia em Deus e em seu imenso amor, já diziam os poetas.Fraternalmente em Cristo, SOLI DEO GLORIA. Pb. Gilson dos Santos.